Coaching

Dicas de Nutrição

4 passos para o peso que deseja


Alguma vez deu por si a pensar que precisava apenas de um plano alimentar para emagrecer e conseguir atingir os objetivos?

Sim, um plano alimentar personalizado completamente adaptado às suas necessidades funcionará bem mas, funcionará ainda melhor, quando acompanhado por outras estratégias que favoreçam a mudança comportamental de forma consciente e sustentada no tempo.

Existem várias dimensões que podem facilitar (ou dificultar) o seu processo de emagrecimento apesar de ter nas mãos um plano alimentar completamente adequado às suas necessidades e realidade.

Vou partilhar consigo algumas dimensões que trabalho com os meus pacientes (para além do plano alimentar) e que também a poderão ajudar a si neste processo.

 

1) Seja responsável pelas suas decisões

 

Quantas vezes já deu por si a pensar em mil e uma razões para comer?

“Hoje disseram-me uma coisa que me deixou triste, preciso de um chocolatinho….” ou “Está frio, a chover, que chatice, vou ali ver o que há para comer…”.

Aqui temos 2 situações:

O facto – eu comi.

A explicação que dá a si própria sobre o facto – eu comi porque me disseram algo negativo ou porque o dia estava cinzento, não pude evitar.

Quando atribuímos a algo externo a responsabilidade pelos nossos atos, dificilmente seremos capazes de mudar o nosso comportamento de forma sustentada. Vamos sempre considerar que não tivemos hipótese – eu só comi porque me disseram algo ou negativo ou porque o dia estava cinzento, caso eu não estivesse triste ou chateada eu não teria comido.

Na verdade, isso é uma reação e não uma decisão.

Ao responsabilizar-se sabe que a decisão foi sua, assume as consequências (boas ou menos boas) da sua decisão, aprende com isso e acima de tudo aprende que, no futuro, perante a mesma situação, poderá decidir de forma diferente – chama a si a responsabilidade e não se deixa enredar nas desculpas que não poderia fazer diferente.

Quando percebemos que as nossas ações são fruto da nossa decisão, começamos a lidar com elas de uma forma mais positiva.

Se acreditamos que tudo o que acontece na nossa vida, no nosso peso e na nossa alimentação é externo a nós, torna-se mais difícil mudar o nosso comportamento alimentar porque acreditamos que a vida social (repleta de comida) conspira a nosso desfavor.

Se vai a uma festa de aniversário com muita comida e decide provar um pouco de tudo, por exemplo, terá duas opções: colocar a culpa na quantidade e tipo de comida ou então responsabilizar-se pelo que decidiu comer.

Analise se as suas decisões foram conscientes ou fruto de distrações e impulsividade e aprenda com isso para que, na próxima ocasião, consiga fazer diferente – se assim o decidir.

Pode não ter o poder de decidir o tipo de alimentos da festa, mas tem o poder de decidir a quantidade e a variedade, já pensou nisso?

Lembre-se sempre de que o poder de decisão é seu, a palavra final é sua. E quanto mais se responsabilizar pelas suas decisões mais controle assume sobre a sua vida alimentar (e restantes dimensões). 

 

2) O seu passado não condiciona o seu futuro

 

É importante ter em mente que o facto de ter ido a uma festa e ter comido demasiado não quer dizer que seja uma pessoa incapaz, fraca, que não resiste ou que nunca vai conseguir ter uma alimentação mais equilibrada.

Este tipo de pensamentos negativos leva a que desacredite em si. Quando estabelecer um novo objetivo em relação a sua alimentação, como de facto já não acredita muito em si, isso retira-lhe energia ou empenho para iniciar as mudanças necessárias, o que leva a um desinvestimento mais rápido no processo, desanimando mais facilmente, ficando triste e insatisfeita consigo própria, o que em muitos casos contribui para o aprofundar da relação amor/ódio com a comida e com o peso.

Se acreditar que o passado define o seu futuro, tornar-se mais difícil atingir os seus objetivos. É importante analisar o que aconteceu, porque aconteceu e definir que abordagem diferente poderá experimentar numa próxima situação idêntica.

Para conquistar algo grande comece pequeno. Nestas situações pode ser muito benéfico começar gradualmente, celebrar as pequenas conquistas, deixar-se contagiar pela boa sensação de que consegue e gradualmente ir adicionando pequenos passos a esta caminhada. Esta é uma boa forma para se começar a desligar da crença de que não consegue, que só influencia negativamente os objetivos que deseja atingir.

Cada dia é um dia completamente novo, cheio de novas possibilidades. Um novo dia para fazer escolhas diferentes, certo?

 

 3) É capaz de aprender e de evoluir

 

Os seus objetivos são claros?

Ao formular objetivos, é importante perceber o que está a resultar e o que não está. É importante ter foco e clareza. Se não sabe onde quer chegar, qualquer caminho serve. Mas se sabe que quer perder 5 kg, 10 kg ou 15 kg, ter uma alimentação mais equilibrada para si e sua família, se sabe que quer mudar sua vida este ano, vai começar a aprender com aquilo que está a fazer agora.

O que está a funcionar? E o que não está?

Perceba o que deve mudar e o que deve manter na sua rotina. Analise o que está a trazer do supermercado para casa, analise o seu estilo de vida – tem feito exercício ou está sedentária? Tem cozinhado ou compra comida fora?

Para mudar o comportamento, precisamos ter consciência do que estamos a fazer.

Então, em vez de se massacrar com os pensamentos negativos habituais, faça a si própria perguntas claras e objetivas para que a resposta seja, também ela,  o mais possível clara e objetiva: Qual o resultado final que eu desejo atingir? O que é que eu tenho feito ou que ainda não estou a fazer que me afastam do resultado que quero?

Depois disso, continue com a autoreflexão em forma de perguntas: Que dimensões quero ou posso mudar?

Lembre-se: mesmo comportamento, mesmo resultado. Diferentes comportamentos, diferentes resultados.

Precisa mudar tudo de uma vez? Não. Pode ir passinho a passinho como já vimos, o importante é começar e manter.

Lembre-se sempre que é responsável pelas suas decisões, que o passado não condiciona o seu futuro e que é capaz de aprender e evoluir.

 

4) Concentre-se na solução e não no problema

 

Lembra-se quando se sente frustrada por não conseguir ter uma alimentação equilibrada ou por não conseguir atingir o peso que deseja?

O que é que essa sensação de frustração lhe traz? Algo positivo ou mais desgaste? Vontade de reagir e mudar imediatamente ou uma sensação de impotência e incapacidade?

Gastamos muita energia com emoções negativas. No fundo, todas nós sabemos disso, mas na prática às vezes é difícil controlar essas emoções.

O que fazer então?

É importante saber identificar a emoção e perceber como ela surgiu.

O que está a sentir? Tristeza, frustração, angústia, ansiedade? Identifique o que está a sentir, perceba se é algo positivo para si ou não, perceba a origem clara daquela sensação ou sentimento. Ao descobrir a sua origem, vai ser mais fácil encontrar uma forma de lidar com essa emoção.

Se está triste porque comeu demasiado, por exemplo:

Comece a decompor a situação. Perceba o que está a sentir, o que fez para que se sentisse assim, identifique o gatilho da situação e a reação que teve perante aquele gatilho. Depois de ter feito tudo isto defina como eliminar o gatilho e, se não for possível eliminá-lo, como agir de forma diferente perante a mesma situação no futuro.

Ou seja, imagine que passou a tarde toda sem comer e chegou a casa (cheia de fome) e não conseguiu evitar comer demasiado e sentir-se arrependida e frustrada com a situação.

Nesta situação o gatilho foi a fome e a presença de comida aquando da chegada a casa. A ação foi comer demasiado e a emoção posterior associada a este episódio foi de arrependimento e frustração.

Se decompusermos assim a questão percebemos que estar a tarde toda sem comer e chegar a casa com fome onde temos os nossos alimentos (gatilho) pode despoletar uma situação impulsiva da qual me vou arrepender posteriormente.

Então, nesta situação, por forma a controlar (ou até evitar) o gatilho, o importante é lanchar adequadamente durante a tarde para que de uma forma mais consciente e controlada possa lidar com o momento de chegada a casa onde tem diversos alimentos à sua disposição.

Já viu como lidar assim com os acontecimento facilita a compreensão da situação e a mudança fica facilitada?

Se agiu contra os seus objetivos em determinado dia, reflita sobre o que aconteceu usando estes passos e estará certamente mais preparada para fazer diferente.

***

Tenha sempre em mente estes 4 passos.

Pare de se sabotar hoje mesmo, aprenda com o passado, defina claramente os seus objetivos, concentre-se na soluções e não no problema e caminhe passo a passo rumo à mudança que deseja.

Confie em si, eu sei que é capaz! E se precisar de ajuda eu estarei cá para si 🙂

 

Beijinho de coração!

Sandra Ribeiro

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *